Manifesto assinado por 60 entidades cobra rigor com quarentena e decisões baseadas na ciência

Um manifesto assinado por 55 entidades de Sorocaba, entre organizações de profissionais da Saúde, sindicatos, partidos políticos, organizações não governamentais e coletivos sociais será entregue à prefeita Jaqueline Coutinho (PSL) para cobrar do poder público municipal o cumprimento rigoroso da quarentena, a ampliação de testes da Covid-19 na população e a criação de mecanismos de monitoramento dos infectados.

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O manifesto defende que as decisões sobre a Covid-19 sejam amparadas na ciência e nas orientações dos especialistas. Seu conteúdo é uma resposta ao lobby crescente de políticos – encabeçado pelo presidente Jair Bolsonaro e que conta, no âmbito municipal, com o apoio de alguns vereadores – para que as medidas de proteção coletiva sejam relaxadas e as pessoas retornem às “atividades normais”.

Mesmo nos cenários mais otimistas, alerta o documento, existe um risco muito grande de o número de pacientes graves (que precisam de UTI e entubação) ultrapassar a capacidade de atendimento dos hospitais locais. Suspender a quarentena neste momento, argumentam os signatários, pode ser ainda mais desastroso para a economia, além de condenar centenas ou milhares de pessoas, por falta de atendimento especializado.

As entidades apontam três aspectos que devem nortear as decisões da Prefeitura e das autoridades da Saúde no município:

1) a tomada de decisão sempre sob a ótica da ciência e da saúde pública. “Hoje, o isolamento social é o principal remédio para o novo vírus. Portanto, Sorocaba deve seguir essa orientação com responsabilidade”, defendem. “Avaliamos que Sorocaba falha imensamente nesse quesito. A cidade está abaixo dos 50% de isolamento social medido pelo governo do Estado. Não existem regras de distanciamento social, de higiene coletiva e de fiscalização”, criticam.

2) a estruturação completa da rede de Saúde, com profissionais em número suficiente e equipamentos e medicamentos adequados, para atender grande número de pacientes. “Mais uma vez, Sorocaba não tem essa rede disponibilizada. O hospital de campanha ainda não conta com equipamentos e muito menos com pessoal qualificado. O número de leitos hospitalares e de leitos de UTIs, com respiradores e materiais para intubação, está abaixo do necessário para enfrentar uma possível contaminação generalizada da população”, afirmam.

3) conhecimento real da extensão atual do contágio. Para as 55 entidades, Sorocaba precisaria fazer testes em sua população, criar mecanismos de monitoramento dos infectados e de mapeamento de quem teve contato com os portadores do vírus, a fim de manter todos em quarentena absoluta. Segundo as entidades, esses dados são essenciais para se ter conhecimento do roteiro da disseminação do vírus.

As entidades concluem o manifesto colocando-se à disposição do poder público e de todos os atores sociais para, com prudência e responsabilidade e à luz da ciência e da saúde pública, colaborar no enfrentamento à pandemia.

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